Valéria Gurgel
"Ficção, Romance, Emoção, Aventura e suspense"
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O VÍCIO DA PERDA DE TEMPO

Valéria A Gurgel

Sempre foi, é e será de bom tempo, estarmos de bem com as horas. Não de hora marcada, ansiosos pelos minutos corriqueiros que escapam de nossas mãos, de nosso controle, mas, no tempo certo, na hora certa, sempre em um bom tempo.

Mas, qual é a hora certa? Qual é o tempo certo? Qual é o bom tempo?

O momento presente, claro! É ele, o único tempo que possuímos de verdade. Pois o passado já não nos pertence mais, e o futuro ainda não o temos.

 

Por isso é bom vivermos intensamente o presente. O estar no aqui e no agora, segundo por segundo. Sempre haverá tempo presente. Melhor que entendamos isso enquanto é tempo.

 

Estar de bem com o tempo é estar de bem com a vida. E estar de bem com a vida é estar em paz. E estar em paz é ser o soberano de nossas próprias horas.

Sermos autônomos do tempo, é sermos conscientes e maduros. Talvez o grande e maior sonho de todo mortal.

Mas, isso implica em vivermos sempre atentos, sem a assustadora cronologia, milimetrada, que fraciona nossas impossibilidades e nos dispersa a atenção.

 

O tempo sempre foi o nosso bem mais precioso, porque ele não está a venda, em nenhum lugar. E uma vez perdido, não o recuperamos jamais, nunca mais.

O grande problema é que nos viciaram desde bem pequenos, a perder tempo. E isso vem nos custando um preço muito caro de se pagar.

 

E esse vício, caríssimo e tão prejudicial, foi tomando proporções enormes, como um monstro que nos devora dia a dia. Um vício tão poderoso capaz de se tornar o soberano de todos os demais vícios que vamos adquirindo no decorrer de uma vida.

 

É um vício maldito, esse de se perder tempo, porque ele destrói a nossa própria vida, devagarinho, de mansinho, imperceptivelmente. Uma vez que ele vai devorando as oportunidades, a disciplina, as nossas possibilidades de conquistas, a nossa determinação, o nosso ânimo de aprendiz.

 

E, gradativamente, nossas expectativas vão se definhando. A saúde vital do tempo vai se tornando escassa, fragilizada e comprometida, até se tornar completamente enferma.

O nosso bem-estar, nossa capacidade de aprendizado, nosso vigor para viver, trabalhar e desfrutarmos a própria existência se vai pelo ralo.

 

Muitos passam os seus melhores anos da juventude a reclamar que tem vontade, mas falta dinheiro e falta tempo!

Depois invertem a situação e reclamam que agora eles possuem dinheiro e vontade, mas não possuem o tempo.

E enfim, há os que adquirem tempo e dinheiro e lastimam a falta de vontade!

São os verdadeiros paradoxos do viver.

 

E de repente, não mais que de repente, quando acreditamos ainda ter tempo, jaz! E lá se foi uma vida pelos ares…

Já faz tempo que travamos uma relação de indiferença com o tempo. E já é tempo de reconciliarmos com ele. Na verdade, tê-lo como inimigo não é nada bom. Mas, sabemos muito bem como ignorá-lo, maldize-lo. Por isso é bem comum os impasses com as horas passadas.

 

Reclamamos do tempo.

Clamamos por mais tempo.

Desperdiçamos o tempo.

Culpamos o tempo.

Amaldiçoamos o tempo.

Ignoramos o tempo.

 

Nossos vícios de total incompetência em administrá-lo termina nos deixando doentes e endividados com as horas perdidas.

É uma dívida muito cara, simplesmente impagável.

E o tempo seguirá nos cobrando juros cada vez mais altos... até que o prazo para pagar se encerra.

O tempo passa e não nos repassa o tempo perdido.

 

Às vezes queremos agarrar o tempo com as mãos.

E a vontade é mesmo de esganar o tempo. Mata-lo. Paraliza lo de vez.

Congelar o tempo não é possível.

Engoli-lo com uns bons goles de água fria, será?

Ahh... como seria perfeito se pudéssemos beber o tempo! No cálice da eternidade.

Mas, correríamos o sério risco de nos engasgarmos pelo resto da vida e nos tornarmos mais viciados ainda.

Viciados e completamente dependentes das horas futuras que podem não chegar.

 

Mas, na verdade, a culpa nunca foi do tempo. E sim dos nossos vícios.

São eles, os nossos vícios, os seus, os meus, os nossos, que engolirão qualquer quantidade de tempo.

Do nosso precioso e insubstituível tempo de viver!

 

Valéria Cristina Gurgel
Enviado por Valéria Cristina Gurgel em 01/04/2025
Alterado em 01/04/2025
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